Vamos fazer um Facebook mais bonito?

Steve Jobs costumava dizer que as pessoas ligam a TV quando querem desligar o cérebro. Eu, que raramente vejo TV, costumava “ligar” o facebook nessas horas, mas ao invés de desligar o cérebro, minha mente ganhava uma sobrecarga de ódio, preconceito, violência, hipocrisia e tantos quantos outros substantivos negativos couberem em uma timeline.

Eu demorei muito a fazer uso assíduo da rede social e dia desses pensei seriamente em excluir a minha conta, embora um amigo sempre insista que não dá pra ficar alheio ao Facebook, uma vez que o mundo acontece lá dentro. Mas, honestamente, será que o mundo precisa ser tão feio assim?

Eu não quero repetir um discurso que vem sendo verbalizado (em vão?) aos quatro ventos por um monte de gente que – assim como eu – acha que a rede deve ser utilizada em favor das boas causas, mas penso que se a gente se preocupasse mais com o que joga lá dentro, todo mundo teria uma timeline muito mais agradável e bonita de se ver.

 

 

1 – Antes de compartilhar imagens de acidentes violentos, notícias infelizes (elas já recheiam os jornais diariamente, gente!) e críticas preconceituosas, pensa no quão legal seria compartilhar algo que acrescente algo na vida das pessoas, ou que possa – de alguma forma – ajudar alguém.

 

2 – A gente nunca sabe o que acontece dentro do outro. Um dos maiores benefícios da tecnologia é a possibilidade de se fazer presente mesmo a quilômetros de distância. Que tal aproveitar essa ferramenta pra alegrar o dia de quem a gente gosta, deixando um comentário carinhoso ou um elogio sincero?

 

3 – Se leio algo que não me agrada, acho muito mais fácil ignorar e seguir a diante do que comprar uma briga em vão e acabar dando audiência pra algo negativo, que merece mesmo ser esquecido. Se aquilo realmente me incomoda, a ponto de eu não conseguir deixar passar, prefiro discutir com a pessoa olhando no olho. Disseminar ódio e ressentimento nunca vai nos levar a lugar algum.

 

4 – Todo dia acontece uma coisa boa nesse mundão de meu Deus! Pode ser algo que faça as pessoas abrirem um sorriso ou chorarem de emoção. Eu, por exemplo, nunca resisto a vídeos e imagens de bebês e animais fofos. Não importa o meu nível de tristeza, essas coisas sempre me arrancam um sorriso genuíno e eu tenho vontade de dar um abraço em quem posta essas lindezas. Vamos imaginar o facebook como um jornal de boas notícias e abastecê-lo diariamente <3

 

5 – Ninguém é igual a ninguém, e ainda bem que é assim! As diferenças nos obrigam a pensar, a analisar as coisas por outro ângulo, a (re)formar os nossos pontos de vista. Ainda que você discorde totalmente das opiniões alheias, isso não te dá o direito de desrespeitá-las.

 

No fim das contas, é só lembrar aquela regrinha que se aplica a tudo nessa vida: não dê aos outros aquilo que você não gostaria de receber. 

 

Sobre a despedida

 

Era noite de uma sexta-feira (dia 03 de abril) quando eu fui visitar o meu pai – que faria 52 anos no domingo – pra levar o meu abraço e um presente singelo, como eu sempre fazia quando ia vê-lo.

Ele estava muito animado e disposto, conversamos – eu, ele e Dieggo – por mais de duas horas e nunca demos tantas risadas juntos. Na despedida, eu pedi a sua benção, ele me beijou a testa, nos abraçamos e ele nos acompanhou por alguns metros, já que havíamos deixado o carro um pouco distante.

Na terça-feira seguinte eu estava me preparando pra almoçar quando recebi a mensagem de que ele havia passado mal e estava no hospital. Sentei à mesa meio zonza, o meu apetite levantou e foi embora. Não deu as caras até hoje.

Fui recebendo notícias vagas sobre o seu estado durante a tarde e, à noite, ao chegar ao hospital, soube que o caso era grave: meu pai (diabético) passou mal, bronco-aspirou, ficou desacordado (provavelmente algum tempo sem oxigênio no cérebro) e foi entubado. Estava na UTI, em coma induzido.

 

No dia seguinte fui visitá-lo, mas não tive coragem de ultrapassar a porta da recepção e fiquei lá, sentada, esperando que a minha tia trouxesse boas notícias. Ela trouxe apenas os olhos marejados e a informação de que o seu quadro clínico era grave, mas estável.

Isso se repetiu por vários dias. Eu sentada na recepção sem conseguir entrar pra vê-lo e o meu pai entubado lá dentro da UTI em estado grave, mas estável.

Nossa única alternativa era rezar, mas sempre que eu fechava os olhos a minha alma ficava muda e eu sequer sabia por onde começar. “Seja feita a Vossa vontade”. Era o máximo que eu conseguia pensar.

 

Uma noite, eu criei coragem e prometi pra mim mesma que entraria no dia seguinte pra conversar com ele. Enquanto aguardava, as minhas mãos soavam frio, meu estômago revirava e eu fazia um esforço danado pra segurar as lágrimas. Até então, eu nunca havia entrado em uma UTI.

Meu pai estava entubado, sedado, totalmente dependente do respirador e com vários aparelhos ligados ao seu corpo descoberto sobre a cama. A imagem foi tão chocante que até hoje me pergunto como consegui ter aquela conversa. Sim, foi uma conversa, a mais difícil da minha vida. Ele sequer abriu os olhos, mas a alteração dos batimentos cardíacos a algumas expressões no seu rosto deixavam claro que ele estava me ouvindo.

Saí do hospital esgotada, mas um pouco aliviada por ter ido lá demonstrar o meu amor. Tivemos alguns desencontros ao longo da vida, mas tudo isso havia ficado no passado e era muito importante que eu o dissesse o que sentia por ele, como me sentia com relação a tudo o que nós vivemos e o quanto eu desejava que ele ficasse em paz.

 

Dias depois, o meu pai melhorou um pouco, depois piorou muito, precisou fazer uma traqueostomia, abriu os olhos, ficava acordado durante a visita, ora sorria, ora chorava e todas as vezes – apesar da constante oscilação do seu nível de consciência – demonstrava me reconhecer. Uma vez, ficou bastante agitado e, num gesto que parecia ser um pedido desesperado de socorro, chegou a segurar as minhas mãos e levá-las até o seu rosto, enquanto se mexia sem parar como quem pede pra ser tirado dali, levado de volta pra casa, onde ele adorava estar.

Me doía o coração ver o quanto todos aqueles tratamentos invasivos estavam agredindo o seu corpo frágil.

Ele – que agora já estava com pneumonia e uma infecção grave – chegou a um quadro de desnutrição aguda. Eu cheguei ao meu menor peso nos últimos dez anos.

 

Passaram-se trinta dias, depois quarenta, e o aperto no peito só aumentava. Todos os dias eu tinha vontade de chorar, quase todos os dias eu chorava.

 

No 43º dia de internação, fui fazer uma nova visita. Eu já não o via há cinco dias e ao me colocar ao lado do seu leito, fui invadida por uma imensa onda de dor e compaixão. Apesar de acordado, ele parecia não me reconhecer e nada era mais nítido do que a sua expressão de sofrimento. Se eu tivesse que descrever o que acontece com uma pessoa quando a vida está deixando-a, eu descreveria aquele quadro.

 

Com muita dificuldade, lhe disse algumas palavras amorosas, prometi que aquilo tudo iria passar e, enquanto eu chorava, pedia a Deus por misericórdia. Voltei pra casa chorando, liguei pra minha mãe e disse que ele estava indo embora. Minha irmã me perguntou quando eu iria vê-lo novamente, respondi que talvez ele não estivesse lá para a minha próxima visita.

 

Chorei tanto que adormeci. Acordei algumas horas depois, por volta da meia noite, e segui chorando até a manhã seguinte, pedindo a Deus que tivesse misericórdia do seu filho, que tivesse misericórdia do meu pai.

Adormeci mais uma vez, acordei e fui ao banheiro. O telefone tocou e, mesmo antes de atender, eu já sabia o que iria ouvir. Caí num pranto profundo e, ao mesmo tempo em que tudo me doía por dentro, eu sabia que ele estava livre daquela dor, o que, de certo modo, me consolava.

 

De lá pra cá, já se passaram dez dias, mas parece que foi ontem. Ninguém sabe o tamanho da minha dor. Ela é só minha e não há jeito de reparti-la com ninguém. E enquanto essa dor me mastiga por dentro, eu penso nele com todo o meu amor, rogando para que ele receba essa luz, essa paz que invade o meu coração sempre que relembro a nossa última conversa juntos, quando ele fez o que mais gostava: contar histórias e arrancar sorrisos.

Apesar de doer inteira, sou grata a Deus por me conceder a alegria da despedida quando ele ainda estava com saúde (o registro daquele encontro ficará pra sempre no meu coração), por permitir que me despedisse dele no hospital (embora dolorida, aquela imagem me trouxe conforto ao saber da sua partida) e por ouvir o meu pedido de misericórdia, permitindo também que eu cumprisse a promessa que fiz ao meu pai, horas antes dele deixar aquele corpo frágil, quando eu lhe disse que todo aquele sofrimento teria um fim e que ele colocasse a sua vida nas mãos de Deus e ficasse com o coração em paz, certo de que todos nós ficaríamos bem.

 

Essa última tem sido a promessa mais difícil de cumprir, mas eu juro que tenho me esforçado. Eu sei que a vida segue, quase atropelando a gente, e eu preciso me manter de pé.

 

Curioso eu lembrar isso agora, mas, pouco tempo após receber a notícia da sua partida, quando eu deixava o hospital, já no finalzinho da tarde, olhei pro céu e vi surgir um lindo arco-íris – há tanto tempo eu não via um… – talvez tenha sido o jeito que o meu pai encontrou pra me dizer que sim, vai ficar tudo bem. Com ele e comigo.

 

Ilustração: Mônica Crema

 

Retratos da semana

 

Resiliência. Essa tem sido a minha palavra em 2015. Pra ser mais exata, essa tem sido a minha palavra desde o finalzinho de 2014. Aliás, eu já sabia disso antes mesmo do pipocar dos fogos no céu, anunciando a virada do ano. Minha intuição nunca gritou tão alto! Lembram quando eu comentei sobre isso aqui?

Ainda não entendi muito bem o que o Universo está querendo me dizer, mas seja ele lá o que for, estou tentando passar no teste:)

 

O lado bom desse processo – desse eterno processo – é que a gente vai aprendendo algumas coisas ao longo do caminho. Uma delas é administrar nossas energias, lembrando que tudo o que a gente joga no Universo, nos é devolvido com a mesma intensidade.

Por isso, nos últimos dias, ficou tudo tão paradinho por aqui. Eu precisava pensar sobre um bocado de coisas, me afastar de tantas outras que não me fazem bem e mandar pra longe toda possibilidade de energia ruim. E então o carnaval foi uma tranquilidade só!

 

Troquei o banho de mar pela piscina, a folia por um café com os amigos e os drinks por raspadinhas de morango! Talvez seja difícil de acreditar, mas esse foi um dos melhores carnavais da minha vida =) Ah, já aviso que coloquei os drinks em dia em outro encontro com os amigos no último sábado, tá? Acho tãããão mais fácil entender as mensagens do Universo depois de uns shots de tequila, hahahahahahaha:) Brincadeira =D
 

Pra encerrar essa semana, recebi mais uma caixa com itens de papelaria da Foroni, e um dos presentes foi esse caderno Candy Crush que tem cheiro de tutti frutti e imediatamente me lembrou dos tempos da escola e da emoção de passar pro ginásio e trocar os cadernos pequenos por um cadernão de doze matérias. Ai, que saudade! #tôvelha

 

A gente nasceu pra ser feliz

Eu comecei o ano de 2014 rindo à toa, com uma série de planos e desejos pra realizar. Tive um ano fantástico, um dos melhores da minha vida, cheinho de alegrias. Mas, ironicamente, terminei o ano chorando, com um aperto imenso no peito, causado por alguns motivos conhecidos por mim, outros nem tanto.

Era início de dezembro quando eu percebi que alguma coisa aqui dentro não estava bem e – apesar dos meus esforços pra manter tudo em ordem (por sorte, certas tristezas são muito discretas)  – houve uma hora em que eu entreguei os pontos. Chorei muito. Chorei desesperadamente, chorei todas as lágrimas guardadas durante um ano inteiro.

Tudo em mim doía, e doía de um jeito que parecia nunca mais passar. Sem perceber, eu permiti que a minha dor fosse maior que eu.

Eu estava cansada, esgotada, com o coração e a alma preenchidos por faltas.

Então eu me ajoelhei, de corpo e alma, e abraçada pelo amor silencioso que sempre me envolve, eu pedi ajuda. Porque eu acredito que se a vida nos ressente, ela também nos restaura.

 

 

Em meio a tantas angústias, eu acabei esquecendo que somos seres de amor, e por mais doloroso que seja um processo, há sempre uma lição a ser absorvida. Cabe a nós exercer sensibilidade para tal.

Ninguém nasceu pra sofrer, esse é um pensamento tolo e covarde. Nós viemos ao mundo para dar e receber amor, em sua forma mais genuína. Somos a energia que emitimos e que, invariavelmente, nos é devolvida com a mesma intensidade.

Se as coisas em nossa vida não estão dando certo, talvez a gente esteja vibrando na energia errada. Ação e reação.

Por várias vezes eu me perdi de mim, e tive que percorrer um longo caminho até desfrutar da alegria do reencontro. Essa foi mais uma delas.

O mais importante é encarar os nossos vazios como espaços a serem preenchidos, e descobrir, dentro de nós mesmos, a melhor maneira de fazê-lo.

Uma coisa, pra mim, é certa: me recuso a levar uma vida de falsas alegrias e relacionamentos superficiais. Me recuso a viver de futilidades, mentiras ou meias verdades.

Eu nasci pra ser inteira e quero manter longe tudo aquilo que me faz metade. 

 

Depois de você

 

Eu morreria por você. Eu pintaria o cabelo de verde, faria uma tatuagem qualquer, pularia do vigésimo quinto andar.

Eu mudaria de cidade, de país e de estado civil. Eu poderia aprender a cozinhar ou a falar alemão. Eu faria qualquer coisa, se você prometesse segurar a minha mão e nunca mais largar.

Eu te amava de um jeito tão bonito.

Eu falava “eu te amo” várias vezes por dia, mas você nunca me levou a sério. Você dizia que me amava, repetia que eu era sua e ria de todas as minhas bobagens, mas você nunca nos levou a sério.

Eu fingia não me importar e ignorava todas as suas aventuras amorosas. Eu tinha tanto medo de estragar o que havia entre a gente, que fingia estar em paz com aquela covardia travestida de liberdade.

Eu queria te manter por perto, então nunca te pressionei contra o muro, mas você fez questão de construir um muro entre a gente.

Eu aceitei o seu silêncio e passei um longo tempo sozinha do lado de cá, imaginando como estaria a sua vida do outro lado. Por não te ter por perto, eu aprendi a prestar atenção em outras coisas, outros lugares, outras pessoas.

E eu, que pensava não haver nada além de nós dois, descobri que havia um mundo inteiro esperando pra ser abraçado. Depois de você, eu experimentei muitos outros abraços.

Um deles, em especial, me fez sentir segura e confortável de um jeito que você nunca foi capaz.

Ontem, ao te ver na rua depois de tantos anos, tantos planos e tantos desencontros, eu não senti saudades. Não senti as pernas bambas, nem o coração acelerado. Não fiquei nervosa, não quis te abraçar, nem me importei em saber como você estava.

Ontem, ao te ver na rua, eu me senti grata pela liberdade que você me deu. Você me mandou embora da sua vida e não se importou em saber como eu iria conduzir a minha.

E então eu me dei conta de que superei não só as minhas, mas, principalmente, as suas expectativas.

Acho que eu fui a melhor coisa que aconteceu na sua vida, e, a julgar pelo modo como me olhou, você também acha.

 
 

Escrevi esse texto pra alguém que precisava ler estas palavras, e que certamente se reconheceu em vários trechos. Acredite, meu bem: não importa o quanto esteja doendo agora, prometo que vai passar.