Perca o sono agora, pergunte-me como.

Homens dormem profundamente, mulheres fazem uma pausa.

A ciência diz que o cérebro feminino começa a amadurecer aos dez anos de idade. Os homens têm esse start quase uma década depois.

Particularmente, acho que iniciei meu amadurecimento bem antes disso. A verdade é que a gente começa a morrer no dia em que nasce, e eu me dei conta dessa contagem regressiva muito cedo, ao perder uma das pessoas que eu mais amava na vida.

Saber que terminamos o dia com um saldo menor no banco de horas da vida é de tirar o sono, sobretudo quando há cada vez mais coisas a se fazer. A gente pensa nos planos, no quanto de vida já ficou pra trás, nas oportunidades perdidas, nos compromissos assumidos, nessa constante inquietação e – é óbvio – a conta não fecha.

Acho que viver nesse ritmo frenético tem me incomodado um bocado. A gente dá um duro danado pra chegar “lá” e, quando chega, descobre que isso exige muito de nós, que arranca nossos dias, algumas noites, que suga cada segundo do nosso precioso tempo.

E olha que ironia: nos tornamos reféns da vida que sempre quisemos ter. É como passar anos construindo uma gaiola, e por concentrar tanta energia nessa construção, a gente acaba esquecendo como é bom voar, até que as grades que nos cercam parecem cada vez mais estreitas.

 

 

Eu não sei em que momento a gente passou a dar o sangue pra ter esse tanto de coisas que nos fizeram acreditar que eram indispensáveis. Não sei quando, exatamente, me deixei convencer de que eu precisava de tudo que, na verdade, eu não preciso.

Mas em alguma das minhas inúmeras tentativas de retomar o fôlego em meio a essa rotina que, por tantas vezes, nos sufoca, eu me dei conta da bobagem que estou fazendo. Me dei conta de que vivo correndo sem sair do lugar, que fiz da felicidade um pote de ouro no final de um arco-íris que certamente vai passar despercebido lá fora enquanto eu trabalho aqui em uma sala fechada. Eu me dei conta de que esse ano me obrigou a renascer quase todos os dias, justamente pra que eu aprendesse uma lição: nós somos tão passageiros que nem somos, estamos.

E quando a gente consegue aplicar esse conceito no nosso dia-a-dia, é libertador! Tudo se torna mais leve, mais fácil e suportável, porque a gente finalmente aprende a distinguir o que vale do que não vale a pena, o suor, a angústia, as lágrimas.

Só quando desaceleramos conseguimos admirar a paisagem e então nos damos conta de que realmente, a felicidade não é o destino, é a viagem.

 

Ah, só mais uma coisa: Vale lembrar que o bilhete (pessoal e intransferível) deve ser só de ida e que viajar sozinho não tem a menor graça. No que diz respeito à bagagem, quanto maior o excesso, melhor!

 

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