Sobre urgência, fragilidade e brevidade.

Dia desses a gente tava vendo TV – coisa que eu raramente faço – e eu me peguei falando uma frase de velha, depois de ver um anúncio (muito bom, por sinal) que falava sobre comportamento.

“O mundo tá tão diferente!”, foi o que eu disse pra Dieggo. O mundo muda o tempo todo, mas às vezes a gente continua ali, parada. Por medo, conformismo ou seja lá o nome que a gente dá ao fato de não chutar o balde.

A gente nasce com um check- list um tanto pesado: estudar, ser bem-sucedido, conquistar a independência financeira, casar e ter filhos. Tudo isso antes dos trinta, por favor!

Pra não fazer feio, metemos a cara nos livros. Graduação, pós-graduação, especialização e por aí vai. Entre uma coisa e outra, começamos a trabalhar, damos um duro danado. Descobrimos o prazer de ganhar e, sobretudo, de gastar dinheiro. Descobrimos, às vezes, o dissabor de não ter tanto dinheiro assim pra gastar…

Aí a gente engata um romance, a coisa evolui e vira casamento. Uma vez casados, começam as cobranças pelos filhos, então a gente risca mais esse item da lista. Entre trabalhar, cuidar da casa, do casamento e dos filhos, a gente tira um tempinho pra fingir uma felicidade plena no instagram. Polegares frenéticos porque precisamos correr para o próximo compromisso!

A gente nunca tem tempo pra nada, e segue fingindo que o whatsapp substitui as visitas aos nossos pais, irmãos, amigos, seus cheiros e seus abraços. A gente finge até que participa do mundo de maneira ativa, só porque acompanha, em tempo real, as atualizações de status dos “amigos” no facebook.

E aí a gente vai levando, até que um ano pesado como esse arranca do nosso convívio diário um monte de gente bacana, que tava fazendo direitinho o dever de casa e, de uma hora pra outra, é levado pra longe. 

E bem no meio da nossa vida corrida, levamos um baita soco no estômago. “Carpe diem” passa a ser a expressão de ordem! Essa brevidade toda nos faz ver tudo de um jeito muito, muito diferente. Dentro, fora e ao redor da gente, tudo muda.

 

 

Tenta imaginar a seguinte situação: você viaja sozinha pra outro país, e ao chegar à porta de entrada, tem alguém pra avisar: “você vai entrar aqui sem nada, e nada do que você adquirir aqui poderá ser levado de volta. Tudo o que você ganhar aqui, fica aqui. E você pode ter que voltar a qualquer momento, a nossa legislação não impõe nenhum tipo de aviso prévio. Seja bem-vinda e aproveite a sua estadia!”

 

Agora me diz: de que forma você iria encarar essa temporada?

 

Assim é a vida, má friends!  A gente nunca sabe quando ela vai acabar. Mesmo assim a gente faz planos, passa anos sofrendo em um trabalho estressante – só pelo direito a uma vida mais confortável - perde muito tempo dando importância a coisas que lá na frente não farão o menor sentido, deixa de viver momentos incríveis em nome do futuro que (será?) nos espera.

Eu não quero ser pessimista, nem incentivar ninguém a sair por aí vivendo la vida loca, longe de mim que, aliás, não tenho lá muito talento pra isso.

O que eu quero mesmo, pra vocês e pra mim, é que a gente siga o nosso coração. Sem rédeas, sem amarras, sem nos importar com a opinião alheia ou a quantidade de likes. Buscar a felicidade é um ato de extrema coragem, um exercício que a gente deve fazer diariamente, respeitando as urgências do nosso coração, que é sempre o nosso melhor guia.

Já faz um tempo que eu tento ser o mais fiel possível aos meus princípios e vontades, e essa busca pelo autoconhecimento pode ser um tanto quanto perigosa, quem tá no mesmo caminho sabe o que eu quero dizer. Não é fácil discernir se você quer atender ao desejo porque ele nasceu de você, ou se ele lhe foi subliminarmente imposto.

Não é fácil tomar algumas decisões quando, ao invés de respostas, você se vê cercada de interrogações por todos os lados.

É igualmente difícil entender que, por mais que você cuide do seu corpo e da sua mente, a sua vida continuará sendo extremamente frágil.

De uma coisa eu sei: a dúvida sempre conduz ao aprendizado, então eu respiro fundo e sigo, tentando fazer tudo da melhor maneira possível (o que inclui deixar de fazer aquilo que não me faz bem!).

 

15 Responses to “Sobre urgência, fragilidade e brevidade.”

  1. Sheila disse:

    Tão bom começar o dia lendo um texto que diz tudo que agente está sentindo…
    Parece ter sido escrito por/para mim.
    Valeu Lenyssa!

  2. Debora Viana disse:

    Lindo texto, Lenyssa! Quem passou pertinho da morte ou teve que abrir mão de algo essencial por falta de opção sabe bem dessas coisas, mas nem por isso, faz com que todos os dias sejam vividos mais sabiamente, porque tem uma hora que a gente esquece que é mortal e volta a fazer planos e correr e correr e buscar e juntar futilidades e nem percebemos que estamos indo no caminho aposto. Isso é a vida, momentos de dormência, momentos de consciência.

  3. Julie Wq disse:

    Pois é…. Eu tb ando fazendo essa mesma e por essas e outras que decidi que apesar de amar certos lugares e certas pessoas eu estou voltando para perto de casa….para perto da minha família…. chegar de viver assim tão longe….
    A VIDA É MUITO CURTA….

  4. Natália Cintra disse:

    Aplausos!!!! Clap, clap, clap!! ?

  5. Nádia disse:

    Ótima reflexão. Ando numa fase muito corrida no trabalho.
    Fase de muito reconhecimento, mas também mais cobranças, pressão e expectativas.
    Hoje chegamos ao ponto de ver um texto longo (leia-se mais de 1 parágrafo) e ir adiando a leitura.
    Precisamos mesmo de vez em quando parar e reavaliar o que vale mesmo a pena.
    bjs

  6. Lu Queiroz disse:

    Leny, fazia tempo que eu tinha passado por aqui. Confesso que minha fidelidade de visitas é mais via “instagram”, dai me deparo com esse texto e é como se levasse um murro na ponta do estômago. Pense é repondo tudo o que você escreveu (não com tanto talento de análises assim) e mergulho numa piscina de interrogações! No final quando consigo não me afogar, chego a estas e outras conclusões mas dai bem mais um dia, mais uma curtida, um barulho avisando que chegou mais uma mensagem no wa e a seriedade de raciocínio se perde até que se ache quando esbarro num texto como esse ou numa situação inusitada de perdas. Que bom que tem gente se preocupando com “gente”, só assim para ser diferente, coerente e talvez, mais honestocom nossos sentimentos ! Grande beijo e saudades de vc ????

  7. Lu Queiroz disse:

    Leny, fazia tempo que eu tinha passado por aqui. Confesso que minha fidelidade de visitas é mais via “instagram”, dai me deparo com esse texto e é como se levasse um murro na ponta do estômago. Penso e repenso tudo o que você escreveu (não com tanto talento de análises assim) e mergulho numa piscina de interrogações! No final quando consigo não me afogar, chego a estas e outras conclusões mas daí vem mais um dia, mais uma curtida, um barulho avisando que chegou mais uma mensagem no wa e a seriedade de raciocínio se perde até que se esbarra num texto como esse ou numa situação inusitada de perdas. Que bom que tem gente se preocupando com “gente”, só assim para ser diferente, coerente e talvez, mais honesto com a vida e com os nossos sentimentos ! Grande beijo e saudades de vc ????

  8. Ellen Mariana disse:

    Amei o texto, tô na fase terminando a faculdade e vem a duvida: “o que eu vou fazer agora?”
    Esse texto só vem reafirmando o que eu sinto.

    beijos linda!

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