Por uma vida sem photoshop

A televisão tá aí pra lembrar e as revistas femininas não nos deixam esquecer. Adicione a isso a vida perfeita das blogueiras e eis o decreto: mulher de verdade é magra, bem resolvida, poderosa e desfila a sua autoconfiança sobre um salto 15, com cabelo, pele e unhas sempre impecáveis.

 

Ah, faça-me o favor!

 

Sem querer bancar a feminista, devo dizer que cansei desse papo. Cansei de ir na balada e ver um monte de meninas que preferem não se jogar na pista pra não correr o risco de assanhar o cabelo. Moças que não bebem, por medo de falar bobagens. Mulheres que abrem mão de saborear uma sobremesa deliciosa, porque temem as calorias. Gente que parece de verdade, mas não é.

 


 
Equilíbrio, meu povo. Equilíbrio! Eis a receita pra tudo nessa vida.
Ter vaidade é super importante, claro! Acho bacana – e não abro mão – de usar maquiagem e manter as unhas esmaltadas. Adoro comprar roupa nova e me cuidar. Mas quando a gente faz isso por obrigação, pra não se sentir fora de um padrão que, cá pra nós, tem se tornado cada vez mais inatingível, a coisa começa a ficar perigosa.

Ao invés de gostar de quem a gente é, a gente esquece o que  tem de bom em busca do que tal blogueira ou celebridade têm, ainda que seja de mentirinha, ainda que só funcione diante das câmeras e que, do lado de dentro, nem seja tão bonito assim.

 

Sabe o velho papo de embalagem e conteúdo? Então!

 

Eu, por exemplo, já me peguei fazendo cobranças bem injustas. Já estabeleci padrões que exigiam demais de mim, e ao invés de resultados incríveis, me senti frustrada por tudo o que eu deixei de viver enquanto corria atrás de um alvo difícil demais de ser alcançado.

É claro que continuo admirando várias celebs e bloggers (hoje em dia, aliás, são quase a mesma coisa, né?), porque as acho lindas, ou estilosas, ou elegantes, ou tudo isso junto. Mas se eu for colocar nos dedos das mãos com quantas delas eu gostaria de sentar na mesa de um bar pra conversar e dar risada, não consigo sequer preencher todas as cadeiras!

Glamour, pra mim, é leveza. É gente que vive sem esforço, sabe? De agradar ou ser agradada. Gente que dá risada, que faz palhaçada, fala palavrão e é capaz dos gestos mais sinceros de bondade e generosidade. Coisa genuína, que vem de dentro. Gente que é bonita com ou sem maquiagem, gente que a gente quer ter por perto!

 

 

Essa coisa de perfeição absoluta não existe. Todo mundo tem problemas, o que muda é a forma como a gente lida com eles. Mas se por um lado é chato sair por aí chorando pitangas, também não é justo querer bancar a princesa do castelo. Se for reparar, aliás, até a tal princesa já passou por poucas e boas, viu?

Se você se cuida pra agradar a si mesma, se leva uma vida de verdade, com relações igualmente genuínas, tá convidada praquele bate-papo no boteco!

Mas se você tá deixando a vida passar enquanto constrói um personagem que, cedo ou tarde, vai acabar saindo de cena, que tal parar pra pensar e começar a viver uma vida de verdade?

 

PS: As imagens que ilustram o post foram retiradas desse vídeo que, aliás, me inspirou a escrever esse texto. Vale o clique!
 

6 Responses to “Por uma vida sem photoshop”

  1. Natália Cintra disse:

    Adorei!

  2. Bia Bezerra disse:

    Certíssima!!!!

  3. Fábrica de Raparigas disse:

    Amei esta publicação. Saudações a quem é de verdade. Beijo :)

  4. Elaine Rodrigues disse:

    Com certeza comadree, e vc é assim… gente assim kkkkk

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